Do reconhecimento

CRISTINA, 12 Maio, 2020

Tenho 42 anos. Mais de metade da minha vida já foi a trabalhar. Nem sempre na televisão. Levo anos atrás de um balcão, dois dentro de uma sala de aula e, por fim, quase dezassete de caixinha mágica. Cresci a perceber que era do trabalho que vinha tudo, bastava juntar uma pitada de vontade e paixão. Numa vida feita de alguns acasos felizes foi o agarrar de cada uma das oportunidades que me fez chegar aqui hoje. Tive sempre a certeza do meu caminho e nunca resisti a mudanças. Não foi tranquilo, não foi de um dia para o outro, não foi sorte, foi trabalho. Foco. Resistência. Paciência. Um dia após o outro. Tudo foram escolhas minhas, raramente muito pensadas. Se há capacidade que tenho é de decisão. Vivo exposta a um escrutínio e julgamento diário. Do público, da imprensa, dos outros. Dos que me conhecem e dos que acham que conhecem. Dos que me veem todos os dias, dos que nunca me viram, dos que espreitam. E todos os dias chego a casa de consciência completamente tranquila. Mesmo no erro. Hoje, num estudo partilhado pela Marktest, sou reconhecida ao lado de Cristiano Ronaldo, como a mulher com mais notoriedade espontânea aos olhos do público. E apesar disto não mudar nada traz-me a responsabilidade de amanhã fazer melhor. Alguma coisa já fiz bem mas, como nunca fui de ficar pelo que já tenho, continuo a trabalhar. Em mim e no que faço. Nós somos tanto de tanta coisa. E este reconhecimento é quase igual a um olhar brilhante de uma mãe ou de um pai. Quando sentimos orgulho. Por falar nisso, vou dar-lhes a notícia. Acho que vão gostar. Obrigada.

   

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