O Zé

CRISTINA Mag, 7 Dezembro, 2018

Conheço o Zé desde o meu início em televisão. Sempre que se apagavam as luzes eu percebia que o Zé era diferente. Ou ficava. Ficava mais calmo, falava de forma mais calma, assumia o que não tinha dito em directo. Sempre gostei dele. Ser diferente, independentemente das razões, e assumir essa diferença, sem medo dos julgamentos, não é para todos. O Zé foi, muitas vezes, estrela de programas de televisão. Foi ele, muitas vezes, a dar audiência e a fixar o público ao ecrã. Quando chegou, no dia da produção, vinha sem maquilhagem a nosso pedido. Vestido à sua maneira. Ele é assim. Estivemos horas juntos. Falámos muito. Disse várias vezes que tínhamos de o conhecer para além do boneco. Durante a entrevista chamei-o à realidade duas ou três vezes. Hoje, fui ler outra vez a entrevista. Surpreendi-me outra vez. No dia, fiquei com a sensação que todos os floreados eram para esconder o sofrimento, ao voltar a ler voltei a confirmar. Tudo tem uma razão. Todos somos feitos do que vivemos. O Zé tem defeitos. Tem. Já fez asneiras. Já. Mas é um sobrevivente. Não sei do seu futuro. Mas ele dará a volta. Deu sempre. No seu caminho.

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