O Adeus

CRISTINA Mag, 7 Setembro, 2018

Está nas bancas a segunda edição da revista CRISTINA e este é o momento de partilhar convosco o editorial escrito na altura em que fiz a produção com os meus dois amores.

 

“Este é talvez o editorial mais difícil da minha vida. Mas também o que representa o amor. O amor que a televisão me deu em 15 anos. Esta é a capa do adeus. O adeus a um projecto profissional que me tornou mulher. Cheguei à tvi com 26 anos acabados de fazer. Longe de imaginar o que seria a minha vida nos anos seguintes. Desde o primeiro dia que senti a estação como o meu sonho. Até quando me deram o Manel. O meu Manel. Um dos maiores amores da minha vida. Muito mais que “marido” é alma gemea. É ligação eterna. É transcendente. É irrepetível. O que vivemos lado a lado no ecrã era uma surpresa constante. Ir trabalhar era ir para a festa. Sempre. Como eu adorava ver a cara dele sempre que o desconstruia. Como eu adorava vê lo rir à gargalhada. Como eu o gostava de surpreender. De apontar defeitos à roupa. De lhe pregar sustos. De subir as escadas até à maquilhagem. De tomar o pequeno almoço à sua frente. De falarmos da vida dos outros. De vê-lo perder canetas. De sonharmos viagens e combinarmos férias. De estar. De simplesmente estar. Talvez este seja o maior desafio do nosso amor. Que acontece agora por algum motivo. Como os casais que passam a viver separados porque um emigrou. Tenho umas saudades profundas do que não vamos conseguir repetir, viver, partilhar. Saudades. Só. Mas a vida é curiosa. No último ano estivemos quase sempre separados. A exigência das gravações do APANHA SE PUDERES juntou-nos poucos dias. Deu-me o pedro. O “amante”. E se um é amor profundo, maduro, o outro é paixão para toda a vida. Tão diferentes e tão iguais para mim. Na ligação que lhes tenho.  Gosto tanto de cuidar do Pedro. De o alertar. De lhe dar raspanetes. De o ver crescer. Sorrir. De teimar. De o ver dormir nas pausas junto a mim. De o ter a almoçar a meu lado. De. E de. E de. A decisão de deixar tudo isto só não se tornou mais dura porque eu sei que vamos transformar esta ausência noutra coisa. E eu sou a que acredita que o que vem a seguir é sempre melhor. Só pode ser melhor. Sentir que os dois percebem a minha decisão é o meu maior conforto. Saber que me querem bem e o meu sucesso é apenas amor. Que palavra esta que encerra tanta coisa. E esta edição encerra um capítulo. E se esta é uma novela da qual fomos protagonistas aposto que a autora tem planos para nós.  Esta não é, de certeza, uma novela fechada.”

 

 


2ª edição da revista CRISTINA já nas bancas!

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