A Maria das Dores

CRISTINA Mag, 5 Julho, 2019

“A Maria mandou matar o seu marido?” Sim, acabou por admitir. O resto é uma conversa dura, difícil de absorver, até hoje. Maria das Dores é, talvez, a prisioneira mais famosa do país. E o ‘famosa’ aqui não é pelos melhores motivos. Está presa há 12 anos. Foi condenada a 21. A mulher que se sentou à minha frente estava segura e, ao mesmo tempo, destruída. Vive na ambiguidade do crime que cometeu, o arrependimento e o futuro. Tem dois filhos. Ou melhor, tem um. O mais novo, filho do homem que mandou matar, era pequeno. Aos 14, disse em tribunal que não queria qualquer contacto com a mãe. A mãe, nestas saídas precárias, nunca o procurou. Pensou ficar à espreita, para o ver. Tem a cela cheia de fotografias que lhe foram mandando. Percebe o afastamento. Agradece aos sogros. Duarte está a formar-se. Tem 20 anos e quer ser médico. Perdeu-o. Pelo menos, para já. Talvez a maior penitência. O David, filho mais velho, está lá. Ao lado. Como sempre. Não sei que conversas teve com a mãe. Se a condena. Sei que está lá. Maria ainda está presa. Dizem que teve um comportamento exemplar na cadeia. Um erro mudou-lhe a vida. A morte do seu companheiro, a seu mando, é imperdoável. Mas quem é hoje Maria das Dores? O que aconteceu? Quais terão sido os seus motivos? Como se vive presa? As respostas estão nesta revista. Não me perguntem dos meus sentimentos nesta entrevista.

 


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