Eles não são só músculos

CRISTINA Mag, 10 Agosto, 2015

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Já tem a revista CRISTINA deste mês? E já imprimiu o seu calendário, aqui? Então saiba agora mais sobre estes nadadores-salvadores que, afinal, não são apenas homens musculados. Eles também são heróis.

Ricardo Campelo
Praia de Vila Praia de Âncora

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Ricardo Campelo tem 24 anos, é nadador-salvador há seis e jamais poderá esquecer o dia em que retirou um adolescente do mar. “Foi há uns dois anos. Era quase final do dia. O mar estava perigoso. A bandeira vermelha encontrava-se hasteada. Ou seja, ninguém podia entrar na água. Avistei o rapaz a pedir socorro fora da zona de vigia. Os nadadores-salvadores também não devem entrar no mar com bandeira vermelha. Mas não aguentei… não conseguia ficar ali parado a olhar para o rapaz a afogar-se. Corri para o mar e consegui retirá-lo. Felizmente que acabou tudo bem.”

Tiago Lima
Praia da Galé, Póvoa de Varzim

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Tiago Lima tem 25 anos e é nadador-salvador há sete. Assume-se como um grande conhecedor dos perigos do mar povoense. “Há que estar muito atento. Estas águas são complicadas.” Tiago conta que duas a três vezes por semana, em cada verão, regista-se um caso de resgate exigente. Recorda um dos mais recentes, ocorridos no mês passado. “Eu e um colega resgatámos pai e filho. Estava bandeira amarela. O mais novo mergulhou e, segundos depois, foi sugado. O pai, em desespero, foi lá para o retirar da água, mas acabou por não conseguir. Eu e o meu colega corremos para o mar. Tudo acabou bem. Existem muitos destes casos e estamos aqui para que não aconteça o pior.”

Carlos Afonso
Praia Quebrada, Matosinhos

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Carlos Afonso tem 30 anos. Salvamentos fez vários, mas há um que é impossível esquecer. “A praia tem uma área que é muito perigosa. Há seis anos aconteceu aqui uma desgraça que acabou por ser muito mediática. Refiro-me à morte do sobrinho do jogador Simão Sabrosa. A zona em causa é de muito difícil acesso. Há uns tempos, uma senhora foi arrastada por uma onda maior e eu evitei que ela fosse engolida. Porém, sozinho, não a consegui retirar do mar. Recebi a ajuda de outros nadadores-salvadores e até de banhistas. Foi complicado. Por isso é que prefiro apostar na prevenção.”

Bruno Horta
Praia do Relógio, Figueira da Foz

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Aos 25 anos, Bruno Horta é o verdadeiro atleta. Pratica natação, luta livre, halterofilismo e lançamento de peso básico. Enquanto nadador-salvador, já perdeu a conta aos salvamentos que fez. “Há seis anos que trabalho em praias de risco, com grandes correntes. Salvamentos? Muitos! Muitos, mesmo. Acho que mais de 50! O primeiro, esse fica sempre na memória. Tinha 19 anos e foi na praia de Buarcos. Estava maré vazia. Avistei um casal de idosos a passear ao longo da praia, à beira-mar. O senhor tinha muletas e a mulher, soube depois, não sabia nadar. Apanharam um fundão e o senhor, como não tinha muita mobilidade, entrou em pânico. A senhora foi de arrasto. A maré estava vazia e foi mais fácil nadar até junto deles. Salvei-os. É para isso que cá estamos.”

Cláudio Arrais
Praia da Nazaré

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Tem 19 anos e 2015 marca a estreia de Cláudio Arrais enquanto nadador-salvador. Apesar da curta experiência, já salvou uma banhista em apuros das águas agitadas da Nazaré. “Foi um salvamento sério. Tive que entrar na água com a boia para ir buscar uma mulher, na casa dos trinta anos, que não conseguia regressar a terra sozinha. Fiquei muito satisfeito com o final feliz deste incidente. Até porque adoro ser nadador-salvador.”

Tiago Freire
Praia de Carcavelos, Cascais

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Foi há no verão passado, aos 20 anos, que se estreou como nadador-salvador. Tiago Freire conta que a presente época balnear está a revelar-se bem atribulada. “Este ano já aconteceu tanta coisa… Um dos casos foi até um salvamento caricato que envolveu um rapaz bem pesado. Devia ter uns 120 quilos. Quando o quisemos retirar da água, a prancha afundava… Foi stressante. Mas uma das situações que mais me tocou foi o que aconteceu a uma menina de 10 anos que sofreu uma paragem cardiorrespiratória dentro de água. Foi horrível olhar para aquela criança deitada na areia, sem respirar, com o coração parado… morta!… Voltou à vida após vinte minutos de reanimação. Mas jamais poderei esquecer a cara daquela menina…”

Pedro Moreira
Praia da Califórnia, Sesimbra

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Foi a paixão pela natação que levou Pedro Moreira a tirar o curso de nadador-salvador, já lá vão quatro anos. Hoje, aos 29, é o coordenador da equipa de nadadores-salvadores da Praia da Califórnia, em Sesimbra. Pedro aposta na prevenção. “Uma aposta ganha porque, de facto, nesta praia não se registam muitas situações de risco. Ainda assim, logo que me iniciei, vivi um caso complicado. Foi em agosto de 2012, no dia seguinte à passagem do furacão Gordon, um ciclone tropical que saiu da costa de África Ocidental e entrou no Atlântico. O mar estava bastante agitado e com muitos agueiros. Uma mãe e uma filha sentiram-se aflitas para sair da água e nós fomos buscá-las. Assim que chegámos a terra, ouvimos mais um pedido de socorro… e lá fomos. Passámos a manhã inteira nisto…”

Pedro Lopes
Praia da Galé, Grândola

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Pedro Lopes tem 27 anos, é enfermeiro e nadador-salvador. Já fez alguns salvamentos e um deles marcou-o bastante. “Por acaso, não estava a trabalhar como nadador-salvador quando tudo aconteceu. Tinha saído do hospital, do turno da noite. Sentia-me cansado, mas ainda fui até à praia com uma amiga. Estávamos à beira-mar e apercebemo-nos da chegada de uma família numerosa. Muitos miúdos chamam sempre a atenção. Fiquei a olhar e vi um dos jovens correr do areal para a água e atirar-se de cabeça, sem a mínima proteção. Prestei atenção e percebi que o miúdo estava em apneia há demasiado tempo. Corri e lancei-me. Assim que o virei, ele começou a respirar com aflição. Retirei-o da água e verifiquei que a situação era grave. Provavelmente, uma lesão na cervical porque os músculos dos membros inferiores estavam paralisados. Nunca cheguei a confirmar porque, no dia seguinte, tentei saber notícias do rapaz, mas não consegui.”

Fábio Felizardo
Praia da Arrifana, Aljezur

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Fábio Felizardo tem 25 anos, é natural de Aljezur e cresceu nas praias da costa Vicentina. É bombeiro e há cinco anos que trabalha também como nadador-salvador. Já participou em vários salvamentos. O que mais o marcou não conheceu um final feliz. “O ano passado, um homem sofreu um ataque cardíaco dentro de água. Quando o trouxemos para o areal entrou em paragem e… não conseguimos reverter a situação. É complicado lidar com estes casos…” Mas, felizmente que, a maior parte das situações de risco, acaba bem. “Este ano retirámos da água, um miúdo que pertencia a um grupo de uma escola. Entrou numa corrente e ficou muito aflito. Quando o fomos buscar, estava em pânico. Não queria pôr os pés no chão, nem com água pelos joelhos.”

David Noy
Praia dos Alemães, Albufeira

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David Noy tem 31 anos, é filho de pais portugueses, mas herdou o apelido da bisavó espanhola. É nascido e criado na praia da Altura, no concelho de Castro Marim, uma zona de águas calmas. Agora, presta serviço na Praia dos Alemães, em Albufeira, uma área, igualmente, tranquila. “Para contar, só tenho histórias com final feliz. Nunca ninguém morreu à minha frente e nunca houve uma situação limite. Mas estou preparado para o que der e vier!”

Ion Lupasco
Praia da Rocha, Portimão

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Natural da Moldávia, Ion Lupasco veio para Portugal aos sete anos e já tem dupla nacionalidade. Tem 24 anos. É nadador- salvador há quatro anos, na praia da Rocha, em Portimão, onde reside. Ion tem consciência de que para ser bem-sucedido na profissão, deve encará-la como uma missão. “É assim mesmo. Mas, graças a Deus que, desde que cá estou, nunca morreu ninguém. Os nadadores-salvadores que aqui trabalham são muito experientes. A praia é das mais conhecidas no Algarve e, por isso, muito concorrida. O mar é calmo e a palavra de ordem é a prevenção. Acredite que o melhor nadador não é aquele que faz mais salvamentos, mas sim aquele que os previne. Essa a melhor estratégia e o meio caminho para que as coisas corram bem.”

André Santos
Praia de Troia-Mar, Grândola

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É natural de Grândola e cresceu na praia de Melides. Apesar de ser o seu primeiro ano como nadador-salvador, André Santos, de 18 anos, já deu provas de que é capaz de cumprir a missão. “Tive que socorrer uma menina de onze anos. Ela estava com o pai a praticar vela. O mastro virou e atingiu a miúda na zona cervical. Fomos, imediatamente, em seu auxílio. Resgatámos a criança e estabilizámo-la com um colar cervical. Felizmente, não sofreu qualquer tipo de lesão e o pai também saiu ileso. Foi a minha primeira prova de fogo. No início estava bastante nervoso mas, felizmente, os nervos passaram assim que me aproximei da vítima. No final senti-me aliviado e orgulhoso por ter posto em prática todos os ensinamentos do curso.”

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Pesquisa | Mariana Cardoso
Fotografia | José Ferreira

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