As entrevistas 

CRISTINA Mag, 6 Abril, 2018

Entrevistar pessoas é sempre uma surpresa. Porque são isso mesmo, pessoas. Desde o início da revista CRISTINA que tenho entrevistado dezenas. Todas foram únicas e especiais, todas tiveram momentos mais difíceis, houve perguntas mais complicadas, choro e alegria, emoções.  Lembro me de todas como se fosse ontem, estão gravadas na memória e no coração, até pela confiança que depositaram em mim. Depois há aquelas que nos fazem pensar. Muito. Aqui se encontra a que faz capa desta edição. Não estava com a Sónia Brazão há anos. Eu, como qualquer outro português, soube da história pela imprensa. Li tudo, ouvi tudo, tive opinião, quis fazer perguntas. Ouvi cada resposta com um nó na garganta. A Sónia tinha o sofrimento estampado nos olhos em todos os minutos que esteve à minha frente. Todos. Precisou de tempo e de silêncio para falar. Mas falar será sempre difícil. A história é muito dura. As dores, que sentiu, inimagináveis. E a dor que permanece. A que nunca desaparecerá está colada ao corpo. Curiosamente, sorriu muitas vezes. Está tranquila. Eu não fiquei. No caminho de volta, senti a urgência de ligar ao Goucha, para falar da Sónia. Cheguei a casa e só pensava nela. Mandei-lhe mensagem. Precisei de lhe dizer o quanto me tinha tocado a entrevista. Há conversas que não são simples. Há vidas que não são simples. Obrigada, Sónia. Os teus olhos estão comigo. Para sempre.

Revista CRISTINA já nas bancas.

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