António Costa

CRISTINA, 5 Março, 2019

Tirei o cargo, propositadamente, deste título. O homem que recebi no programa de hoje foi apenas um cidadão comum. O que nos dirige, é certo. É Primeiro-Ministro do país, mas também marido e pai de família. Todos os espaços de comunicação são válidos para se conhecer o outro. É raro um programa da manhã receber altas figuras do estado. Ou era. Talvez os tempos novos indiquem que algo mudou. Chegou tímido, a analisar o espaço e a dona dele, mas minutos depois percebeu o espírito. Aliás, já o conhecia. Estudei jornalismo, com muito orgulho, mas ali estava como apresentadora de entretenimento. E, naquele espaço, o único objetivo é falar da vida. De dar a conhecer o “invisível”, o que vai para além de imagens criadas. Um Primeiro-Ministro tem um percurso, fez um caminho até ao destino actual. E tem gente que o rodeia. Não conhecia a Fernanda, companheira de tantos anos. Logo no primeiro telefonema percebeu que poderia ajudar a que conhecessem quem, para ela, não tem cargo. “É apenas o meu marido”, dizia. Mas, hoje, percebeu-se a alegria, a naturalidade, o afecto, que existe nesta família. São gente como a gente. Para lá da difícil tarefa diária que tem em mãos. Gerir um país não é gerir uma casa. É gerir todas as casas. E hoje, a minha, a nossa, permitiu ver para além disso. Foi na descontração do momento que ficou a “pessoa”. E nada mais para além disso. No estrangeiro, é comum vermos Presidentes e Primeiro-Ministros em programas do género. Os debates com os temas fracturantes, polémicos e relevantes ficam para os espaços próprios. Que os há em televisão. O que não retira importância ao momento vivido hoje. Poderia ter feito todas as outras perguntas. Mas deixaria de fazer as de hoje. E hoje era isto. Obrigada Senhor Primeiro-Ministro.

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