Ontem e hoje

CRISTINA Mag, 24 Abril, 2017

A revista é o projecto, de todos, que mais trabalho me dá, mas também mais gozo. Desde o primeiro dia que o entusiasmo une uma equipa jovem, cheia de energia e com vontade de criar. Não é fácil tomar decisões, fazer escolhas, convites, fazer marcações, cumprir prazos, adiar temas e… Dar tudo certo. Vivemos na alegria de, até hoje, termos recebido um feedback muito positivo, dos leitores e dos convidados, que nos dão alento para continuar na diferença com que nos afirmamos. Temos um projecto muito bem definido cujo propósito, desde o início, foi seguir uma linha que não existisse ainda e da qual nos queremos desviar. Vamos limando arestas, ouvindo as pessoas, percebendo reacções, e provocando emoções. E são as minhas emoções que, normalmente, manifesto nos editoriais de cada edição. Hoje, quis aqui recordar o primeiro de todos. E o de agora. Continua o amor.

Ano 1 #1

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Que chova!

Passei a infância sozinha. Filha única num lugar com apenas 10 casas. Todas com gente de família. Era nas férias e no verão quase juntavam os primos. O resto do ano, passava-o calada. Tímida. Com medo até… de falar ao telefone.
Quem me conheceu assim, certamente, não imaginaria que a Cristina pudesse vir a transformar-se na Cristina Ferreira. A da Televisão. A que ri alto. Sem pudores.
A verdade é que, a tal infância solitária me deu tempo para pensar. Muito. Um dia, quando ia à feira, lembrei-me de comprar uma revista que saía à quinta-feira. Tornei-me, mais tarde, viciada. Agora, compro todas as revistas de moda e de decoração. E tenho uma mania. Ninguém as pode abrir antes de mim. Tenho que ser a primeira a folheá-las. Hoje chega a minha. A CRISTINA. E ainda parece um bocadinho mentira. Quem diria? Não tive tempo de sonhar com ela. Foi tudo tão rápido que só me lembro que chovia, sempre que reuníamos secretamente. E no dia em que, pela primeira vez, nos reunimos na sala da redacção, apareceu um arco-íris à janela. Era bom sinal, embora só tivéssemos três semanas para pôr a revista na gráfica. Três semanas para fazer tudo o que vai encontrar nas páginas que se seguem. Leia tudo. Não deixe nada de fora. Tudo tem um propósito.
Temos tantas ideias que acho que há todo um ano alinhado. E temos uma equipa cheia de entusiasmo. Certezas, só a de que a próxima edição será completamente diferente. E esse é o desafio: surpreender. Como é o caso da revista ao Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Ele é o primeiro. O primeiro grande protagonista. Devo confessar que tive medo quando lhe telefonei. Como é que eu o convidava para uma coisa que ele não conhecia?! E que eu também não podia explicar? Enviei mensagem primeiro. Liguei no dia seguinte. “Diga lá, o que é que quer? É para a revista não é? Só não quero coisas picantes.” ” Não professor! Eu só queria mesmo o que lhe disse. Sem fugir a nada. Tal e qual o imaginei. E não se preocupe! Já me passou a  gripe. Já me pode dar a mão.” Leia e perceberá!
Lombada1

Ano 3 #1

capa revista cristina ano 3 25 (2)

Estamos de volta, cheios de força e vontade. Vontade de continuar a fazer a diferença à nossa maneira, de mostrar qualidade e gente. Gente que não nos deixa desde o primeiro minuto. Ainda hoje coro de alguma vaidade sempre que elogiam a CRISTINA. Muito se falou, de muita coisa, nos últimos tempos. Guardei segredo do futuro que chega hoje e apenas duas ou três pessoas sabiam do que iria acontecer. O Manel era uma delas. O meu Manel. O único que fazia sentido neste primeiro número. O da reconstrução. Lancei-lhe o desafio de ser ele a fazer as perguntas, a ser curioso, como tantos outros, sobre mim, a minha vida e os meus amores. Não impus barreiras e deixei-o agora tomar o lugar que foi meu, há meses, no Alentejo. Não pensei em respostas. Quis apenas que a verdade, a minha, pudesse chegar a quem me acompanha, também aqui. À CRISTINA já muitos confiaram. Histórias dramáticas, felizes, vivências mais ou menos duras. Chegou a minha vez. Este é o ponto de partida. Estamos numa nova fase, não espere o mesmo. Espere sempre o inusitado, a loucura e até o erro. Queremos experimentar. Fazer. E seja o que Deus quiser. A frase sempre a ouvi aos mais velhos, crentes ou não, num ser superior que nos guia. E acreditem ou não, no meio do entulho, num palácio de Lisboa, quando precisámos de um balde para o cenário, pegámos no primeiro que estava à mão. Tinham-lhe pintado o número 13. E não foi preciso mais nada. Bem-vindo à nova CRISTINA.

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