Judite

CRISTINA Mag, 5 Maio, 2017

“Fiz-lhe o convite duas ou três vezes. Desde o primeiro dia. Disse-me sempre que não estava preparada. Nunca insisti mas, cada vez que a via, queria muito fazer-lhe perguntas.
Quando fiz o meu estágio de jornalismo na RTP, já lá vão quase 20 anos, lembro-me perfeitamente de a ver na redação. Já na altura, ela era grande jornalista da televisão portuguesa. Nunca conversámos. Afinal, eu era apenas uma estagiária. Estava longe de imaginar que, um dia, seria eu a perguntadora.
Passam agora, praticamente, três anos sobre a morte do filho. Há umas semanas, aterrava no Dubai, quando recebi a mensagem que dava conta de que a hora chegara. Judite queria falar. Agora. Confesso que fiquei aflita. Era o momento. Uma das mais aguardadas entrevistas da revista CRISTINA. Desde o primeiro dia que os leitores queriam a jornalista na capa. Vivemos todos, a seu lado, uma dor que é para sempre. Mas muito longe de a imaginar. Sou mãe, vivo com o meu filho diariamente, tenho sonhos para ele. Não sei como a Judite  aguenta, não sei como está no ecrã todos os dias, não sei o que a move, que vida tem.
Sentei-me à sua frente só para a ouvir. E ouvi-la é perceber-lhe a força. Mesmo a que às vezes lhe falta. Há uma Judite antes. Uma Judite depois. E o depois é uma das mais duras provações do ser humano.
Este é um testemunho real. De vida. Ou de morte…”

Revista CRISTINA deste mês já nas bancas.

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