Carinho

CRISTINA, 16 Junho, 2017

O dia era 13, de Santo António, feriado na capital e com 35 graus de temperatura. Estava tudo marcado para uma sessão de autógrafos, na Feira do Livro de Lisboa, com o meu livro ‘Sentir’. Quando cheguei já a fila ia longa. Confesso que é nestas alturas que tenho noção do carinho das pessoas. Emociona-me perceber que estão horas à espera, que vêm de longe, que tiram um bocadinho do seu tempo só para me ver. Querem apenas um beijinho, um abraço, olhar-me nos olhos, falar. Às vezes, os nervos são tantos que são incapazes de dizer o que quer que seja. Às vezes as lágrimas percorrem o rosto. Fico aflita. Contam-me histórias, falam do Goucha, do quanto são importantes. Muitos, mais novos, sonham ser meus colegas de profissão, dizem querer trabalhar comigo. A todos digo para não desistirem. Que é importante acreditar. Acho sempre que não tenho tempo para a atenção devida a cada um. E, no fim, ainda agradecem. O obrigada é meu. Só existo e sou o que sou porque me retribuem festa forma. Porque sem saber toco, com a minha vida e forma de ser, na vida dos outros. E  por isso, saio sempre destes momentos com um enorme sentido de responsabilidade. Ouvi, desta vez, dezenas de vezes: “não mude”. E estas são as vozes que me dão o alento. Ou a história de uma senhora que tem um tumor maligno nos olhos. Deixou de ler durante muito tempo, por incapacidade. Até ser operada. E ler outra vez. O meu livro. E os olhos brilharam. Os dela. E os meus.

 

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