A Máquina

CRISTINA Mag, 7 Fevereiro, 2017

Várias vezes vi este título associado ao meu nome. E em todas elas senti a pressão de não ter sentimentos e falhas. Não são assim as máquinas? Desprovidas de emoções, cumprindo passos estipulados e com pouca margem de erro? Fui dizendo nos últimos tempos que adorava poder falhar, meter-me em coisas só porque sim, por paixão, para experimentar, para ir e ter de voltar. Eu não sou uma máquina. “Sou apenas gente normal à procura do sonho e que não desiste”. A frase roubo, uma vez mais, ao meu livro, que foi escrito de uma forma intensa respeitando a minha verdade. Verdade, essa palavra tão importante no jornalismo. Mesmo longe foi impossível ficar afastada de todas as notícias de que fui alvo durante a semana. “Fracasso”, “problemas”, “erro”, “fim”, eram palavras apetecíveis de juntar a um nome que “vende” como o da Cristina. Foram saindo títulos insidiosos, opinativos, de julgamento, e alguns até muito imaginativos. É preciso estar muito bem resolvido para aceitar tudo e esperar… Esperar por hoje, dia 7. O dia em que anunciei que a CRISTINA só termina a sua parceria com a editora. Porque continua. Porque a partir de hoje é minha, sem parceiros económicos e editores. E este é um processo no qual trabalho há meses e que esperava pelo fim de Fevereiro para o seu anúncio, por respeito à Masemba, a quem agradeço estes dois anos de parceria e cooperação. Tenho muito orgulho no trabalho que fazemos há dois anos. Começámos do zero. Cheios de paixão e sonhos. Errámos, acertámos , fizemos bem e mal, provocámos, confiaram em nós, discutimos, emocionámos, surpreendemos, fizemos. Como sentimos ser o melhor. E esta é uma revista de emoções. Sem medos. Do preconceito. Do que possam achar. Há quem goste. Há quem não goste. Normal, justo. É difícil viver num país onde querem que falhes, onde desejam o tal fracasso. Há dias em que equacionamos escolhas e caminhos. E depois percebemos que será sempre assim. Aqui ou a vender bifanas. Basta ser íntegro, honesto, trabalhador. E isso ninguém me tira. Agora é pôr a “máquina ” a trabalhar, que a Cristina chega a 7. ❤️

Fotografia | Tiago Miranda – Revista Visão

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