A Máquina

revista cristina novidade

Várias vezes vi este título associado ao meu nome. E em todas elas senti a pressão de não ter sentimentos e falhas. Não são assim as máquinas? Desprovidas de emoções, cumprindo passos estipulados e com pouca margem de erro? Fui dizendo nos últimos tempos que adorava poder falhar, meter-me em coisas só porque sim, por paixão, para experimentar, para ir e ter de voltar. Eu não sou uma máquina. “Sou apenas gente normal à procura do sonho e que não desiste”. A frase roubo, uma vez mais, ao meu livro, que foi escrito de uma forma intensa respeitando a minha verdade. Verdade, essa palavra tão importante no jornalismo. Mesmo longe foi impossível ficar afastada de todas as notícias de que fui alvo durante a semana. “Fracasso”, “problemas”, “erro”, “fim”, eram palavras apetecíveis de juntar a um nome que “vende” como o da Cristina. Foram saindo títulos insidiosos, opinativos, de julgamento, e alguns até muito imaginativos. É preciso estar muito bem resolvido para aceitar tudo e esperar… Esperar por hoje, dia 7. O dia em que anunciei que a CRISTINA só termina a sua parceria com a editora. Porque continua. Porque a partir de hoje é minha, sem parceiros económicos e editores. E este é um processo no qual trabalho há meses e que esperava pelo fim de Fevereiro para o seu anúncio, por respeito à Masemba, a quem agradeço estes dois anos de parceria e cooperação. Tenho muito orgulho no trabalho que fazemos há dois anos. Começámos do zero. Cheios de paixão e sonhos. Errámos, acertámos , fizemos bem e mal, provocámos, confiaram em nós, discutimos, emocionámos, surpreendemos, fizemos. Como sentimos ser o melhor. E esta é uma revista de emoções. Sem medos. Do preconceito. Do que possam achar. Há quem goste. Há quem não goste. Normal, justo. É difícil viver num país onde querem que falhes, onde desejam o tal fracasso. Há dias em que equacionamos escolhas e caminhos. E depois percebemos que será sempre assim. Aqui ou a vender bifanas. Basta ser íntegro, honesto, trabalhador. E isso ninguém me tira. Agora é pôr a “máquina ” a trabalhar, que a Cristina chega a 7. ❤️

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The Machine

Several times I saw this title related to my name. In each one of them, I felt that pressure of not being able to fail or even to have feelings. Machines are like this, right? Deprived of emotions, just accomplishing set up tasks, leaving small margin to fail.  In the last times, I have been telling that I definitely would love to be able to fail, to embrace some “stuff” just because I want, to answer a passion, to experience, to dive in and return. I am not a machine. “I am just a regular person who doesn’t give up on pursuing a dream.” I steel this quote, once again, from my book, which was written intensely, respecting my own truth. Truth, such an important word in journalism. Even miles away from here, it was impossible to stay away from all the news about me during last week. “Failure”, “problems”, “Mistake”, “End”, these words were really useful to attach to a name that “sells a lot” like Cristina. Several insidious, opinionated, judgmental and even imaginative titles came up. It is crucial to be in such interior peace to be able to accept everything and just wait… Wait for today, 7th. The day that I announced that CRISTINA will just cease its partnership with the publisher. Because it will continue. From now on it is mine, with no economic actors or publishers. And this is a procedure that I have been working on in the last months, which would be announced in the end of February, out of respect for Masemba, to which I am thankful for these 2 years of partnership and cooperation. I am very proud of the work we have been doing in these 2 years of magazine. We started from scratch. Full of passion and dreams. We messed up, we got it right, we did good and wrong, we provoked, people trusted us, we argued, we thrilled, surprised, and we did it. In a way we felt it was the best. And this is an emotional magazine. With no fears about stigmas, about what others could think. Some like it. Others don’t.  It’s ok. It’s fair. It’s difficult to live in a country knowing that others want you to mess up, to fail. In some days we question our choices and paths. Then we realize that it will always be like this. Here or selling pork sandwiches. Being an upright person, honest, worker it’s enough. And these attributes no one can steal from me. Now we just have to put the machine on working because CRISTINA will come on next 7th.

Fotografia | Tiago Miranda – Revista Visão